Pela janela do carro Suzi via varios campos gramados e o céu meio nublado e ao fundo alinhando-se com o horizonte a Floresta Negra se desenhava perigosa e misteriosa. No carro em que estava Alicinha dirigia com calma e segurança. No outro banco está uma mulher negra, alta com cabelos lisos e olhar serio, do lado de uma garota de uns quinze anos, ruiva e com uma cara de alegria. Alicinha fala rindo:
- Vocês vão ver como é o predio. É lindo. Seria um bom lugar para morar se não fosse tão afastado da civilização.
- E porque foi feito assim Alicinha? - Pergunta Suzi curiosa. Mas a mulher negra e alta completa:
- Parece o senario perfeito para o que acontecia aqui.
Foi uma alfinetadas daquelas que só Raimunda dava conta de dar e foi direto no coração de Alicinha fazendo ela perder o belo sorriso e tentar explicar.
- Foi nosso prefeito Leonardo que prefiriu assim.
- Leonardo? Não me lembro de ter votado nele. - Diz Raimunda dando outra alfinetada.
- É porque a trinta anos ninguém concorre as eleições com ele aqui na cidade. Somente ele se candidata. - Responde Alicinha paciêntemente e começando a ficar com medo se não estava cometendo um erro na escolha da nova diretora chefe do orfanato.
Mas a conversa fica mais calma quando Calina fala sorrindo para todos:
- Vai ser tão bom rever minhas amigas. Fico tão feliz de poder vir.
- Então você é mesmo a filha legitima de Eriberto mocinha? - Pergunta Alicinha voltando a abrir seu sorriso.
- O DND está marcado para se fazer amanha. Mas vejo o sorriso frocho de Eriberto nela de longe. - Diz Raimunda não parecendo gostar muito disso.
Suzi tentando fazer a conversa melhorar sorri para Calina:
- Suas amigas também devem ficar muito felizes de te ver.
O carro chega ao orfanato e logo sai da casa o policial Yan com um grande sorriso no rosto e logo depois a fileira das doze meninas. Que corriam para abraçar Calina que saia do carro. Suzi, Raimunda e Alicinha também saem do carro. Alicinha fala para todas quando se calaram:
- Meninas. Essa será as duas mulheres que cuidaram de vocês nas proximas semanas, até chegar uma pedagoga que vem do Rio de Janeiro. - Todas param e olham para as duas.- Essa é Raimunda Carvalho e a outra é Suzi Crof. Espero que elas de deêm confiança de que agora seram bem tratadas.
As meninas olham intimidadas para Raimunda e Suzi até que Suzi fala rindo.
- Porque não vamos fazer chocolate quente enquanto nos conhecemos?
As meninas sorriem e vão todas para a cozinha e Suzi corre atrás parecendo outra menina. Raimunda fica olhando assustada para a cena, junto de Alicinha que sorria alegremente.
- É. Ela parece ter jeito com crianças. - Alicinha vira-se para Yan e fala: - Vamos Yan, vou te levar para a cidade e tenho que trazer o outro policial que vai ficar no seu lugar.
Suzi já lá dentro tomando chocolate quente com as meninas sentadas no sofá da sala já tinha Suzi como uma grande amiga.
Uma das meninas, uma mais magra e alta fala apertando a caneca com vergonha mas contando rindo e muito vermelha.
- Bem, ai tem esse garoto. Ele mora com o pai a alguns metros daqui.
A outra intrometida fala:
- É o visinho mais perto que temos.
- Ai ele disse que queria fugir comigo daqui e me salvar das garras da Angelica.
Suzi ria.
- Mas e ai? O que aconteceu?
- Bem, era para semana que vem. Mas acho que não vou precisar mais ir não. Agora que temos você Suzi.
- Gabi, espero que vocês confiem em mim como uma irmã. E eu tentarei fazer o mesmo com vocês.
Suzi passou a conhecer todas rapidamente. Uma era Gabi, alta, magra, nem parecia ter quinze anos. A outra intrometida era Belina, uma gordinha que andava sempre com os cabelos presos para trás num rabo de cavalo. Tinha as irmãs tri-gemêas, Mina, Tina e Lina. Uma era copia da outra só Mina e Lina sempre brigavam uma com a outra e Tina tentava remediar as coisas. Tinha outra que era Veronica, uma garota timida e calada que era unica que Suzi não conseguiu tirar nenhuma confição. Tinha Fernanda, uma garotinha negra e gordinha que abria seu sorriso e conquistava todo mundo. Parecia ser a mãe das meninas com seu instinto protetor.
Tinha Margarida uma linda garota que já tinha a aparência de uma bela mulher. Que junta de sua amiga Vanessa pareciam desfilar e não andar pelo orfanato.
Cristina era uma garota triste que logo Suzi pode saber que sua irmã mais velha era uma das desaparecidas.
Bianca era toda muleca, mas muitas vezes dura com suas amigas, deixava muitas chateadas.
Carolyne era uma menina nervosa e que olhava sempre de rabo de olho para Suzi. Sua desconfiança era transparente.
Tamara era esperta e aventureira. Por suas brincadeiras e suas aventuras era a que mais apanhava de Angelica e suas marcas estavam em seu rosto delicado. Mas isso não a atrapalhava.
Suzi vendo as garotas se confessarem, não via as crianças frageis que foram agredidas por Angelica. Via mulheres lindas com grandes historias para contar. E que ela ouvia com muito gosto.
De longe Raimunda via tudo e deita no sofá. Não iria ser grande trabalho cuidar dessas mulheres já adultas.
Ela se senta no sofá de outra sala ao lado e liga a televisão. Só não iria ter que limpar, passar e cozinhar. Isso é o que Raimunda achava.
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