sexta-feira, 12 de novembro de 2010

08 de março de 2025 – sabado - 09:00 - Barraco Durval

Mariana finalmente termina de limpar toda a casa e coloca-la em ordem. Não se podia dizer que tinha ficado bonita pois o barraco estava a cair aos pedaços. Mas Mariana tinha conseguido deixar com jeito de casa. Ela se senta no sofá que ela mesma conseguiu tirar cada pedaço de comida que podia estar lá. E aliviada pensou que finalmente sua vida estava começando a tomar um rumo. Mesmo que seja na casa de um bebado e seu filho coveiro. Ao pensar nisso ela pensou que poderia ir ver o que seu amigo Rafael fazia em seu trabalho. E com um sorriso de paz ela caminha até o terreno vizinho onde estava o cemiterio e com agunia caminha entre os varios tumulos. Alguns com flores secas e vazos, esquecidas por suas famílias, mas mesmo com aquele sentimento de tristeza tinha uma paz. Mariana pensava que depois daquele lugar não tinha mais volta. Era o descanso eterno. Mas de repente entre os tumulos ela vê alguém e percebe que sua paz ainda estava longe de acontecer. Era uma linda mulher de cabelos negros e sentada em uma cadeira de rodas e de frente ao tumulo de Mariany.  Seu coração bate forte. Era sua ligação com o passado sombrio. Mariana tenta se esconder atrás de uma grande lapide mas Barbara a tinha visto. E assim Mariana se aproxima de Barbara, ela a olha firme que faz Mariana tremer.
- Vejo pela sua face que você conseguiu levar sua vida. - Diz Barbara séria e começando a andar pelo semiterio junto de Mariana.
- Temos que levar Barbara. A vida continua, e temos a chance de mudar.
- Sua irmã não teve a mesma chance não é? - Mariana fecha os olhos triste. Barbara tinha esse dom de abrir as cicatrizes que estavam se fechando. - Sabe quem matou ela?
- Não me interessa Barbara...
- Suzam.- Era pura maldade. Mariana sabia disso. Parecia que Barbara enfiava uma tocha chamejante em seu coração. - Ela está lá vivendo feliz com a família dela. Está namorando um dos homens mais ricos de Oculam. Vai virar madame.
Mariana respira fundo e fala nervosa.
- É injusto Barbara. Mas não é agente que escolhe. Temos que entender isso. Tivemos sorte de sair daquele buraco que o Carlos nos enfiou. Se a Suzam está se dando melhor o problema é dela...
- Você fala isso porque não está numa cadeira de rodas. Você não acordou de um sonho lindo e acordou num pesadelo horrivel.  Ver a mulher que destruiu tudo isso tendo que cuidar de mim como um bebê. Eu não vou deixar as coisas assim Mariana. Eu vou me vingar. E se o mundo é justo eu vou conseguir.
- Não faça isso Barbara! Podemos ser felizes. É só aproveitar o que a vida nos deu.
- O que a vida me deu Mariana? Só me tirou. Me tirou minhas pernas. Me tirou meus movimentos. Eu não consigo beber uma água sem ter que pedir a alguém me ajudar. A Yomiko tem que me ajudar até a ir no banheiro. É humilhação atras de humilhação.
- É seu orgulho que está sendo destruido Barbara e isso não é ruim.
- Eu sou forte Mariana. E não vou ser destruida. Não vou.
- Você não é seu orgulho.
- Eu sou o que sou. E te juro que eu vou me vingar de Yomiko Crof e Carlos Tedesco nem que isso seja a ultima coisa que eu faça Mariana.
Mariana sai de perto de Barbara. Não iria ficar com esse desejo de vingança. E voltando para sua nova casa encontra aberta. Ela sai doida correndo com medo e encontra Rafael dentro da casa com uma sacola na mão. Ele se vira com um sorriso falando.
- Olha o que comprei pra você. - Diz ele vendo com alegria a casa toda arrumada. - Eu e meu pai não lanchamos, mas não se sabia se você queria, então pedi para o padre comprar alguns pães para você.
Mariana sorrindo vê com humildade Rafael cortar o pão de sal duro e velho e percebe que eles eram bem mais pobres que ela pensava.
- Você não trabalha para o padre no cemiterio?
- Não. - Diz ele sem graça. - Trabalho lá pelo terreno que ele nos deu. Mas não ganho dinheiro. A nossa comida eu consigo pelo padre.
Mariana sorri sem graça. Ia ser mais uma despesa para eles. Não queria isso. Mas Rafael com seus humildes oferecendo pão de sal, ela percebe que Mariana era algo muito mais especial para o rapaz do que uma despesa. Não chegava a ser um amor. Mas era alguém para conversar da idade dele. E alguém que não fosse alguém bebado. Era uma família. Mariana sorrindo pega o pão e como com maior gosto do que poderia comer num restaurante mais chique. E rindo fala:
- Porque não me acompanha?
- Não. Prefiro deixar para você. O padre não é tão bondoso quanto parece.
- Isso é trabalho escravo sabia?
- O mesmo que estou fazendo com você? - Fala ele brincando. Mas Mariana continua.
- Você é uma rapaz novo, bonito. Tinha que arrumar um emprego de verdade.
Rafael ri envergonhado.
- Ninguém ia me contratar. Todos conhecem meu pai aqui em Oculam. E ninguém iria contratar o filho do bebado arruaceiro.
- Sei que cheguei agora mas acho que você não pode continuar vivendo aqui assim. Eu fiz o melhor que pude para deixar isso com cara de casa, mas sei que você pode arrumar coisa melhor.
- O que você pensa que posso fazer?
- Abrir um negocio proprio.
- Que tipo de negocio? Todo tipo de negocio precisa de um dinheiro para começar.
- Eu não demoro tanto para arrumar a casa. Deixa comigo que eu te ajudarei.
Rafael sorri e se levanta sem graça não acreditando nos sonhos de sua nova amiga.
- Agora me de linceça que eu tenho muito o que fazer. Os mortos não esperam.
Rafael ri e sai. Quando ele sai o pão começa a deixar seu gosto azedo na boca de Mariana. Tinha ajudar esse rapaz. Mas como?

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