quinta-feira, 18 de novembro de 2010

08 de março de 2025 – sabado - 13:00 - Jorge



Jorge em sua casa via televisão. Via o filme que começava após o jornal. Era um filme de romance mostrando o mocinho abraçado a mocinha na grama no meio da chuva e se entregando a paixão. Jorge sentiu saudades. De vinte anos atrás quando conheceu Adelia. Ela era uma linda mulher de trinta e sete anos. Cabelos curtos e castanhos que constratavam muito bem com sua pele moreno e seus olhos verdes grandes.
A primeira vez que a viu foi num parque, tomava sorvete e usava um longo vestido de estapas de flores. Jorge lia o jornal da manha como fazia todas as manhas antes de ir ao emprego na sorveteria. Tinha apenas quinze anos e aquela mulher era a visão de tudo que ele sonhara. Seus amigos o achava estranho ele nunca se envolver com ninguém. Mas aquela mulher, naquele momento tinha mechido com ele. Jorge se aproximou e ofereceu um guarda-napo para ela se limpar do sorvete. Isso foi o bastante para ela o notar e começar a contar sobre a vida. Adelia estava casada a nove anos com um homem, obrigada pela família e que não podia ter filho. E Jorge era tudo que ela precisava naquele momento. Ela brigou com a mãe, separou do marido e em uma semana estava com Jorge. Jorge também brigou com a família para ficar com Adelia que era mais velha. Ninguém queria aceitar. Eles se casarão as escondidas numa capela apenas com o irmão de Jorge como testemunha. Fugirão para Oculam após os pais descobrirem e o ex-marido de Adelia os ameaçarem. Uma cidade nova. Vida nova. Foram contratados pelo pai de Joel para trabalhar na mansão. Lá eles criaram os filhos. Era a vida perfeita. Foi a vida perfeita por um longo tempo.
Dentro de si Jorge sabia que Adelia iria morrer primeiro que ele, mas acontecer era diferente do que saber. Se sentia sozinho. Mas não queria ficar assim. Tinha dois filhos para criar ainda.
Ele se levanta e resolve fazer uma caminhada pela cidade. Caminhando ele vai lembrando como a esposa ficou linda gravida. E como foi lindo o nascimento de Judith.  Um lindo bebê gordinho. Que como primeiro filho foi mimado o maximo possivel. E isso trazendo problemas no futuro. Lembrou-se das primeiras brigas de Adelia com a filha. Judith com cinco anos apos ter beijado Joel no jardim, Adelia fez um escanda-lo. Mas quanto mais ia crescendo Judith se mostrando mais fria e calculista. Fazendo com que Joel se apaixonasse mais por ela. E ela se mostrando cada vez mais materialista.
Jorge chorava andando em meio as ruas que começavam a ficar mais movimentadas. Estava entrando no centro da cidade.
Ele se lembrou de quando Judith já com dezesseis anos entrando em casa nervosa. Ele estava se arrumando para arrumar mais uma vez o jardim dos Meirelles.
- Ele vai se casar pai! Ele vai se casar! - Diz ela pegando o vaso de flores que Jorge tinha dado Adelia de aniversario de casamento e tacando a parede. Ele assustado se aproxima da filha, Adelia aparece a porta.
- Oque você achou Judith? Que ele iria ficar com filhinha de empregado? Eu te avisei Judith! Eu te avisei!
- Mãe! Aquele desgraçado do Joe vai casar com a Carol! A Carol não tem nem onde cair morta.
Adelia também tinha ficado chocada. Mas ela não tinha visto o que Jorge tinha visto. Ela tinha visto Judith detestando o homem que ela tinha dito amar desde pequena. Adelia tinha visto que a filha era  um monstro. Jorge entendia o porque que Joel se casou. Era jovem e inocente. Carol, da família visinha tinha perdido os pais e o unico tutor, padrinho dela, tinha tentado abusar dela. Ela ia para adoção e perderia todo o dinheiro para o proprio tutor se isso acontecesse. Isso se Joe, amigo dela de infância, não tivesse pedido ela em casamento.
Jorge se lembrava de tudo. Lembrava dos encontros as escondidas de Judith com Joe. Das brigas de Carol com Joe. E de repente sua filha sumindo. Sua esposa envelhecendo com depressão guardando na conciência a morte da propria filha sabendo dos planos malevolos da filha contra Joel. Jorge começou a ver em sua cabeça também que as brigas de Joel e Carol não tinham acabado. Tinham almentado. E finalmente a noite da morte de sua esposa. Ela sendo levada pelos policiais com o peito sangrando e a mansão em chamas.
 E agora o que ele iria fazer? Não queria ficar sozinho.
E de repente em sua frente apareceu uma grande e linda mansão. Só que não era isso que ele olhava. Era o jardim mau tratado e destruido. Era a chance de um trabalho. Ele vai até o interfone e aperta. Uma linda voz feminina se ouve:
- Oi?
- Moça. Eu sou jardineiro. E percebi que você está precisando de um.
- Ou claro. Espere só um minuto que eu vou descer.
Ninguém menos que Priscila aparece a porta. Ela ao ver Jorge abre um sorrisão e se aproxima.
- Então você é jardineiro?
- Dona Priscila? Que conhecidencia.
- Sim. E ai? - Diz ela com um sorriso malicioso. - Vai encarar esse jardim? Recebe na hora.
Jorge com um sorriso percebe que era um novo começo em sua vida.
- Com todo prazer moça.

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