Yomiko sai do onibus com agunia. Tinha decido num lugar quase dezerto, onde só tinha na estrada empoeirada e sem asfalto o ponto de onibus na frente de um alto muro de tijolos cinzas. Ela estava de frente a penitenciaria Oculam. Onde Carlos Tedesco estava. Yomiko trazia uma vazilha de comida e se aproxima da porta e olha com agunia para uma fila enorme feita de mulheres e crianças. Todos se amuntuando a porta. Yomiko espera calmamente. E espera sua vez. Ao chegar a porta se depara com um alto policial que fala seriamente.
- Tire os brincos e correntes do pescoço.
Yomiko tira os pequenos brincos da orelha e com medo entrega ao policial.
- Você possuiu algum objeto cortante ou algo que possa ser usado como arma?
- Não. É claro que não. - Diz Yomiko assustada.
- Desculpe senhora. Estou apenas fazendo o meu trabalho.
Yomiko não responde apenas passa pela catraca e entra num corredor apertado que as outras mulheres também percorriam com seus filhos. Até que o corredor se abre para um grande patio onde varios homens esperavam com sorrisos pelos seus famíliares. Cada um em uma cadeira. Yomiko fica a procurar por Carlos mas não encontrava. Até que uma voz firme se fala:
- Senhara Tedesco?
Yomiko se vira para uma mulher de uns cinquenta anos, seria com uma pele branca que parecia neve e um cabelo negro solto com o vento.
- Meu nome é Yomiko Crof, sou a visita de Carlos Tedesco. Não nos casamos no civil. - Diz Yomiko apertando a mão da mulher.
- Sou Mizzi Ferdinanda. Diretora da Penitenciaria Masculina de Oculam. Seu marido não está ai. Está em outra area rezervada aos bandidos perigosos.
Aquela palavra fez Yomiko gelar. Bandidos perigosos. Era naquilo que ela estava envolvida. Num bandido perigoso. Era esse o homem que ela amava.
- Me acompanhe por favor.
A mulher anda na frente e Yomiko a segue. Ela atravessa um corredor branco e desce uma escada onde uma grade fechada por um guarda enorme os esperava. Mizzi mostra seu cracha ao homem e ele a deixa entrar. Yomiko vai passando também quando o homem coloca a mão na frente de sua passagem.
- Espere um pouco moça. - Diz ele tirando um grande detector de metais de uma caixa e passando pelo corpo de Yomiko. Yomiko tremia de medo com o ar-condicionado forte. Depois desse tipo de humilhação ela continua a seguir a mulher que andava mais apressadamente na frente.
E para diante a uma porta com um grande vidro embassado. Dele podia-se ver Carlos sentado numa cadeira de frente a um vidro.
- Você tera quanto tempo precisar. Mas tudo será gravado como prova do jugamento. Está me entendo senhora Tedesco.
- Já disse que meu nome é Yomiko Crof. - Fala Yomiko já bastante abalada e humilhada.
- Me desculpe. - Diz ela tirando um caderno debaixo da mesa que tinha do lado da sala.- Assine aqui e podera entrar.
Yomiko assina com a letra meio tremida e abre a porta. Como tinha visto pela vidraça, um vidro separava duas salas. E ele estava ali. Seus olhos cheios de luz, deram foraças para Yomiko, e ela teve certeza pela primeira vez que tinha pisado naquela penitenciaria que deveria estar ali. Ela larga sua bolsa e sua sacola no chão e vai até seu grande amor. Carlos respirava fundo cheio de emoção ao ver sua amada. Yomiko solta as lagrimas e fala aos prantos:
- Poderia ser diferente Carlos. Como poderia ser diferente.
- Eu pensei que não viria. Pensei que tinha me deixado.
- Ou Carlos. - Diz Yomiko passando a mão no vidro tentando encontrar os dedos de Carlos que também estavam contra o vidro. - Eu nunca quis que fosse desse jeito. Agora vejo como eu errei no passado.
- Não Yomiko. Não pense nisso. Não pense no passado. Quero que pense no futuro. No nosso futuro.
- Você do meu lado. Com nossos filhos. - Diz ela com um grande sorriso entre as lagrimas.
- Nada vai me fazer mais feliz Yomiko. Eu queria tanto te tocar Yomiko. Beijar você. E te abraçar.
- Tera todo tempo do mundo para fazer isso Carlos. Seremos muito felizes ainda. - Yomiko já calma limpa as lagrimas e pega sua bolsa do chão e sua vazilha e sorrindo fala para Carlos. - Eu preparei um bolo para você. Os policiais mecheram um pouco nele, mas deve continuar gostoso.
Carlos deixa lagrimas cairem de seus olhos.
- Não queria que você passasse por isso Yomiko. Nunca.
- Não se preocupe comigo Carlos. Se preocupe em você sair dai o mais rapido possivel.
Carlos olha serio para Yomiko.
- Preciso de um advogado para o jugamento Yomiko.
- Vou pedir a Alicinha. Ela foi otima comigo e as crianças. Ela vai ajudar.
- Que bom querida. - Diz num sorriso que logo se disfazendo. - Os pais dos seguranças mortos estão armando um abaixo-assinado em Oculam.
- Para que? - Pergunta Yomiko assustada.
- Querem pena de morte para mim Yomiko.
- Isso é impossivel Carlos. No Brasil não á pena de morte.
- Não se eles recolherem a maior parte das assinaturas de Oculam. E eu prejudiquei muita gente.
- Eu não vou deixar isso acontecer Carlos. Eu juro para você.
Carlos e Yomiko ainda conversaram por horas sobre os primeiros momentos na penitenciaria. Falou que lá era muito bem organizado e que apesar de não dividir a sela com nenhum preso, eles não tinham tanta simpatia por ele. Ele disse que os policiais também não gostavam muito dele e que muitas vezes o tratara mal. A unica que conversava com ele era Mizzi. Que entendia seu caso e que nunca o julgara e repreendia os policias que assim fazia. Apesar de Yomiko ter ficado um pouco insiumada com o mesmo entusiasmo contou como andava sua vida. Sobre como tinha resolvido o caso de seus filhos, sobre a diretora do orfanato sendo presa, sobre seu irmão chegando do esterior cheio da grana e de boa vontade. E finalmente chegou numa situação mais do que delicada.
- E minha filha, Barbara? Como ela está?
- Poderia ter me contado sobre ela Carlos. Não sabia que ela tinha necessidades especias.
- Está causando algum problema?
- Não é isso Carlos. Ela é uma boa garota. - Fala Yomiko querendo concertar mas desde que Barbara tinha chegado em sua casa tinha percebido que ela não era boa pessoa. Mas era melhor mentir. - Suzi, Suzam, Suzana e Sergio estão se dando muito bem com ela. Falando nisso é hora de ir. Tenho que começar a arrumar um almoço para eles. - Diz ela querendo se livrar daquela cituação o mais rapido possivel.
A volta na casa foi cheia de conflitos em seu pensamento. Yomiko pensava que teria que fazer isso toda manha pelo resto da sua vida. Se Carlos não pegasse a tal pena de morte sem duvida teria prisão perpetua. O Brasil estava mudando. E Yomiko pensava que essas mudanças seria para melhorar. E o impressionante e o mais dificil é que se não fosse pelo Carlos seria uma coisa boa para Yomiko. Ela se sentiria mais segura sabendo que os bandidos agora teriam medo de matar por qualquer razão. Mas agora ela estava do outro lado e viu que a lei está fazendo a mesma coisa que os assassinos, julgando quem deve ter o dom da vida ou não. Que diferença tinha do que Carlos fez? Pelo menos ele se arrependeu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário