Jim desce do onibus nervoso falando ao celular. Teve que ir de onibus porque Eduardo tinha pegado o carro para ir a delegacia mesmo Jim falando que ele iria na Faculdade de manhã para achar alguma novidade para o restaurante de Yomiko, isso tudo porque Yomiko e Eduardo tinham cobrado dele. E isso tudo ele explicava para Alicinha que era a unica pessoa que ele poderia desabafar sem magoar nem Yomiko e nem Eduardo.
- Você entendeu o que eu falei Alicinha? - Diz Jim caminhando com raiva para o grande portão da Faculdade.
- Entendi Jim. Agora eu posso voltar a trabalhar?
- Pode meu amor. Porque acabei de chegar. Tchau.
Jim desliga o celular e bate no grande portão. Abre-se uma portinha dando visão apenas de um olho castanho escuro e muito serio.
- O que quer?
Jim estranhando dando alguns passos para trás re-lê o grande letreiro e pergunta:
- Aqui é Faculdade de Ciências de Oculam?
- Sim. Porque? - Fala de novo a voz bruta do homem. Não dando para perceber se é uma voz masculina ou feminina.
- Eu vim vizitar meu amigo. Nepomuceno Camocim de Cândole.
- O senhor Nepomuceno está o esperando senhor Jim. - Diz a pessoa fechando a portinha e abrindo o grande portão que mal se diferenciava das paredes enormes. Uma mulher enorme, gorda e negra com uma longa trança caindo até as cochas aparece atrás da porta como dona do corpo. Ela aperta fortemente a mão de Jim e diz seria:
- Sou Bess Fenix. Sou a porteira da Faculdade Ciêntifica de Oculam. Atravesse o corredor, suba as escadas terceira porta a esquerda.
O corredor atrás da porta parecia muito mais castrofobico do que parecia do lado de fora. Jim caminha com medo pelo corredor escuro e sombrio. A luz começa a piscar e Jim olha para trás para ter certeza que sua nova amiga continuava ali. Ela acenando um tchalzinho com um sorriso zombateiro fala:
- Desculpe. Estamos com um pouco de queda de energia. Mas os laboratorios tem geradores proprios.
Jim continua a caminhar até a achar as grandes escadas que Bess falou. Ele sobe as escadas com medo. Estava muito quieto para uma Faculdade de Ciências, apesar de ser sabado.
Jim sobe as escadas até dar num corredor iluminado apenas pelas janelas grandes que davam para o patio. Ele olha para o patio e vê alguém se movendo pela grama verde até a porta de entrada. Jim assustado chama por alguém:
- Tem alguém ai?
- É você Jim?
Jim vai até a sala de onde vinha a voz. E encontra seu grande amigo da escola, bem mais velho e de jalecos brancos ao lado de uma mesa de laboratorio cheio de guloseimas.
- Nepomuceno? Quanto tempo meu amigo. - Diz ele abrindo um grande sorriso e abraçando seu amigo de longa data.
- Então meu grande irmão? O que você quer desse seu humilde criado? - Diz Nepomuceno com humildade e carinho.
Jim caminha pela mesa cheia de bolos, doces e sanduiches misturados com tubos e liquidos ciêntificos.
- Vim para te dar a oportunidade de usar esses seus experimentos em um lugar de verdade.
- Como assim Jim? - Fala ele intereçado.
- Minha amiga abriu um restaurante e estou querendo colocar seus experimentos lá. O que você tem de novo.
- Bem Jim. Já tem um tempo que não trabalho com isso. - Diz Nepomuceno com um constrangimento bem estranho. - Tenho só aquelas velhas receitas que você conhece.
- Quer dizer que você fica aqui dia e noite fazendo as mesmas receitas desde de nossa infância Nepô?
- Não é isso que estou dizendo Jim. Não diga isso nem de brincadeira. - Fala ele começando a suar e ficar nervoso.
- Calma amigo. Eu só estou querendo é saber o que você anda fazendo da sua vida desde que saiu da escola.
- Bem Jim. - Fala Nepomuceno, extremamente constrangido passando a mão na nuca. - Se você prometer não falar nada eu conto.
- Eu sabia Nepomuceno que esse seu projeto de comidas é só fachada.
Nepomuceno caminha para trás da sala e empurra uma estante onde um grande botão vermelho fechado por um vidro estava grudado na parede misteriosamente.
- Eu só vou te contar isso Jim porque você foi praticamente meu unico amigo por toda minha vida. E apesar de quase nunca me visitar, sei que é confiavel.
- Que misterio Nepomuceno. O que você anda fazendo? Algo ilegal.
- Você se lembra do livro que eu mais gostava na infância?
- É claro que eu lembro. Você era piradão pelo Frankstein. - Jim assustado acha que se deu conta do que era. - Meu Deus Nepomuceno. Não acredito que você anda pegando partes de gente morta e montando um monstro.
Nepomuceno aperta o botão e da parede surge um buraco, desse buraco surge uma linda mulher que anda para frente roboticamente.
- Calma meu amigo. Ela não é partes de gente morta como pode supor. Ela é apenas uma robo. Ela se chama Angel.
A robô fica parada diante dele com olhar longiquo. E Jim olha para dentro daqueles olhos claros e relusentes.
- Meu Deus ela é muito parecida com gente de verdade.
- Mas não quero que ela seja parecida só exteriormente. Estou programando ela para ter alma. Ela já sente dor. Olhe. - Nepomuceno pega uma agulha na mesa e fura o dedo de Angel. Para o susto de Jim ela solta um grito e fala e grita:
- Ai. Doeu.
Jim com entusiasmo fala:
- Meu Deus Nepomuceno. Isso é fantastico. Você não está brincando comigo está?
- Mas ainda falta muito. Ela já sabe fazer escolhas, já sente medo, já sabe até escrever. E antes de você chegar. Eu iria instalar o programa Ocitocina.
- Ocitocina? Você vai deixar ela se apaixonar? Por quem?
- Por mim. É obivio Jim. É só ela engolir esse comprimido. Fiz com que o estomago dela fosse um tipo entrada de Cd. Capita tudo que entra. Enclusive o programa que está dentro do comprimido. - Ele vira-se para Angel e fala com ela:- Angel, por favor, abra a boca e engula o cumprimido.
Angel abre a boca com um sorriso e Nepomuceno coloca o cumprimido dentro da boca da robo. Angel engole e Nepomuceno fica olhando para ela. Ele estranha e bate na cabeça do robo. Jim segura o braço dele.
- Calma Nepomuceno. O que foi?
- Deveria ter acontecido alguma coisa.
- Bem, talvez tenha que fazer efeito. Não precisa bater nela. Porque não conversamos sobre as receitas enquanto ela descansa um pouco?
- Eu não tinha pensado nisso. Ela não precisa descansar. Vou anotar isso.
Nepomuceno anota algo e de repente Angel vira seu rosto para Jim, ele se assusta, mas antes que Nepomuceno pudesse se virar de volta, Angel volta sua cabeça ao normal. Jim assustado fala com agunia.
- Olha, porque você não anota para mim tudo. Eu levo algumas dessas receitas para minha amiga. E depois eu telefono para você.
- Tudo bem. Se assim prefere.
Jim sai assustado do laboratorio. Aquela mulher tinha lhe dado arrepios.
Nenhum comentário:
Postar um comentário