quinta-feira, 10 de março de 2011

10 de março de 2025 – segunda-feira - 21:00 - Penitenciaria Feminina Oculam




Emiliana se senta na cadeira. Um vidro separava a outra cadeira até então vazia. O telefone pregado a parede em ambos os lugares deixava claro como ela iria conversar com a irmã. Emiliana olha triste para seu reflexo no vidro. E se envergonha. A irmã iria vê-la daquela forma. Um horror. Sempre se cuidava tanto pra ninguém vê-la daquela forma. O que mais queria naquele momento era ir embora, ir embora sem ver Luma. Mais uma vez ela estava caída e a irmã estava tentando levanta-la. Mais uma vez falhou. E porque? Por causa de uma briga idiota com uma dona de casa. Uma mãe que não sabia cuidar dos filhos. Emiliana só queria acertar pelo menos uma vez. Fazer o certo pelo menos uma vez. E ela acaba caindo mais fundo do que jamais pensou em cair. Estava na cadeia.

De repente Bianckiny entra na sala do outro lado do vidro. Ela deixa a porta aberta e pega o telefone sem se sentar na cadeira de plástico. Da porta recostada Emiliana pode ver que tem mais duas pessoas do lado de fora. E seu coração aperta ao perceber que poderia ser sua filha uma das moças.
- Senhora Emiliana. Sua irmã veio visitar-lhe com sua filha. Consegui abrir uma exceção para elas poderem vê-la. Você consegue me entender? O telefone está funcionando bem?
- Sim. - Diz Emiliana olhando triste para baixo.
Bianckiny faz um gesto com a mão e Luma e Miriam entram na sala. Luam sorria com carinho. Já a filha com os olhos cheios de lágrimas estava muda, seria e triste.
 Luma pega o telefone primeiro. Emiliana tenta segurar o choro.
- Minha irmã. Você está bem?
- Desculpa. Desculpa Luma. - Diz Emiliana abaixando os olhos e contendo o choro que ela tentava prender a qualquer custo.
- Não minha irmã. - Diz Luma chorando também e colocando a palma da mão contra o vidro. - Não chore. Não se desculpe.- Luma limpa as lágrimas no rosto e fala com carinho: - Agora e levantar a cabeça e ver o que podemos fazer para te ajudar. E você para se ajudar.
Emiliana limpa os olhos também e olha para a irmã. Como estava linda. Adulta. Seria.
- O que você fez? O que aconteceu? A sua advogada tentou me contar mais eu não entende porcaria nenhuma do que ela falou.
- Não importa Luma.
- Me conta.
- Não importa! Eu quero...
- Eu vou tirar você dai.
- Eu não quero sair daqui! - Diz Emiliana triste. Luma fica calada esperando Emiliana se acalmar para lhe contar o que queria.  - Quero que você coloque a minha filha na escola de novo. É isso que eu quero. Cuide dela.
- Nos vamos cuidar dela, minha irmã. Em Ocuol tem ótimas escolas.
- Não. - Diz Emiliana parando de chorar olhando seria para a irmã.- Quero Miriam no Colégio Oculam. Está me escutando?
Emiliana percebe a surpresa no rosto da irmã. E fala:
- Lá ela tem os amigos dela. Não quero que uma idiotice minha afeta a vida da minha filha.
Emiliana olha para a filha. Ela estava parada, muda e olhando firme para a mãe.
- Você vai fazer o que estou lhe pedindo? Não gaste dinheiro comigo em advogados particulares a Bianckiny é uma ótima advogada.
Luma olha firme para a irmã. Ela limpa o choro também e fala com seriedade:
- Eu vou fazer o que você está pedindo.
- Ótimo. Agora me deixe falar com minha filha a sós.
Luma se levanta da cadeira e deixa Miriam se sentar. Ela bate na porta e o policial abre e deixa ela sair. Deixando mãe e filha sozinhas. Miriam estava assustada, o rosto e os olhos vermelhos de chorar. Emiliana aponta para o telefone. A menina estica as mãos e pega o telefone.
- Você está bem? Os policias fizeram algo com você?
- Não.
- Eles te ameaçaram?
- Não mãe.
Emiliana respira fundo. A filha solta as lágrimas.
- Para de chorar! Está me escutando. - Diz Emiliana nervosa. - Você sabe quem colocou agente aqui?
- Mãe...
- Cala a boca e me escuta! Sabe quem colocou agente aqui? Foi aquela sua amiguinha idiota, a porca da mãe  dela e as irmãs dela.
- A Suzana não é minha amiga!- Grita Miriam nervosa.
- Você vai para aquela escola e vai acabar com a vida delas! Está me escutando?
- Como? Como que eu fazer isso?
- Você vai vir aqui todo dia e vai me contar tudo que está acontecendo com você. E eu vou te falar o que fazer. Você quer se vingar deles por colocar a sua mãe na cadeia? É isso que você tem que fazer! Você vai fazer isso pra sua mãe?
- Eu vou mãe.
- Promete?
- Sim. Eu prometo.

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