Suzi caminha pela rua escura e deserta, com o vento forte e apenas os postes de luz iluminando o caminho de que Suzi lembrava que era o único lugar legal que Arthur conheceu em Oculam.
O Hotel abandonado. Hotel Surprise. Tinha mudado pouco desde o dia que tinha chegado. O cartaz grande que tinha substituido as letras em relevo roubadas obviamente já estava solta e rasgada no canto. O T de Hotel estava caido e o O tinha aberto uma rachadura. A vidraça quebrada continuava ali. E a fita amarela colocada pelos policias estava solta, dando a certeza para Suzi que Arthur e as outras crianças estavam ali.
Suzi se aproxima e quando abre a porta do hotel. Se depara dentro de um hotel muito chique e limpo. Cheio de gente passando. E uma música tocando ao longe.
E sua roupa também estava mudada. Agora usava um vestido de bolinhas cor de rosa com alças largas e seu cabelo estava em trancinhas. Suzi se assusta mas se aproxima do homem que estava no balcão.
- Moço? O que é isso?
- É a festa de aniversário do gerente do hotel senhorita? É alguma convidada? Ou quer se hospedar?
Suzi se lembra da ultima vez que estava ali. E se lembrava dos fantasmas e tantas coisas sobrenaturais que tinha acontecido. E percebe que poderia ser mais uma.
- Senhor eu estou procurando um garoto bem novo de cabelos castanhos escuros, baixo e magro. E um de cabelo encaracolado, e bem mais gordinho que o outro. Você viu eles por ai?
- Sim. São convidados da senhora Sophia.
- Sophia? Sophia Alves?
- Sim. Ela e o marido estão na pista de dança.
O homem aponta para o salão. E se depara com uma pista cheia, balões e um monte de gente dançando. E no meio da pista Arthur, Sakuia, Sergio e Ana Paula dançavam. Suzi corre até eles e grita:
- Arthur, Sergio! O que vocês estam fazendo aqui? Sakuia? O que você faz aqui?
- Estamos dançando. Você não está vendo? - Fala Sakuia sem parar de dançar.
- A Sakuia é nossa colega da escola Suzi. - Fala Arthur sem parar de dançar também.
Suzi nervosa fala:
- Vocês sabem que horas são? Temos que voltar para casa! Seu pai deve estar super preocupado. E a mamãe também Sergio. E a Raimunda imagina como ela deve estar uma fera com você Sakuia. E você mocinha? - Fala Suzi virando-se para Ana Paula. - Sua mãe sabe que você está até uma hora dessa na rua?
- Porque você não dança também?- Diz Sergio segurando a mão de Suzi e tentando fazer ela dançar. Suzi se solta da mão de sergio nervosa falando.
- Eu não quero dançar. Temos que voltar para casa logo. Está formando uma tempestade.
- Tempestade? Aonde?
Suzi vira-se para a janela onde Ana Paula apontava e vê uma noite linda e estrelada. E volta-se para as crianças e percebe que eles não paravam de dançar.
- Parem de dançar! Vamos embora!
- Suzi nós queremos ficar mais um pouquinho. Deixa?
- Não Arthur! Já deve ter passado das dez! Vamos embora! - Suzi agarra o braço de Arthur e Sergio e vão levando ele para fora. Quando uma mulher fica na frente de Suzi. Uma senhora magra de nariz fino que a lembrava alguém.
- A senhorita não vai levar essas lindas crianças a lugar nenhum.
Suzi estranha o olhar ameaçador da senhora. E fala seria.
- Me desculpe senhora mas já passou da hora dessas crianças irem dormir.
- Que isso moça. Veja. - Diz a senhora apontando para um grande relógio na parede do salão. - Agora que está dando seis e meia. Porque não fica também? - Suzi olha nervosa. As quatro crianças como todo mundo não parava de dançar. E só a velha e Suzi não dançavam no salão.
- Impossivel dona. Quando sai de lá de casa já passavam das oito horas da noite. - Suzi vai para sair e a mulher segura Suzi pelo braço.
- Você não vai tirar elas daqui!
- Tira as mãos de mim senhora. Eu vou levar minhas crianças para casa.
A senhora vira-se para as crianças e pergunta com tom infântil.
- Vocês querem ir com essa moça?
- Não. - Fala Arthur com cara feia para Suzi. Surpriendendo Suzi.
- De jeito nenhum. Eu quero ficar dançando. - Fala Sergio se virando para Ana Paula e dançando com ela.
Suzi nervosa fala:
- Parem já com isso! Vamos embora agora! - Suzi vai para pegar Arthur e Sergio novamente só que a mulher agarra seu braço novamente. E vira-se para dois homens na porta.
- Seguranças! Tirem ela daqui já. Está atrapalhando a festa do meu marido!
Suzi tentando se livrar dos dois seguranças é agarrada por eles e levada para fora da salão de dança. Um dos seguranças fala com um olhar malicioso.
- Se quiser dançar comigo. Eu te deixo ficar?
- Nem morta! - Fala Suzi chateada e nervosa. Ela se levanta do chão aonde tinha ficado após ser largada pelos seguranças e caminha pelo corredor onde a música ia se abafando.
E tenta se lembrar do quarto onde Sophia vivia. Ela tenta pegar o celular na bolsa que carregava. Mas até a bolsa era diferente da sua. E de repente vê uma porta entre aberta e um homem beijava uma mulher. E quando o homem se vira Suzi se depara com a figura de Murillo. O avó de Lauro beijando uma moça. Suzi nervosa e assustada entra no quarto.
- Senhor Murillo! O que você faz aqui?
O casal se vira assustado. E de mais perto Suzi percebe que não era Murillo e sim um homem muito parecido com ele.
- Moça! Você deve estar se confundindo.
- Elioty está não é sua esposa? - Pergunta a mulher assustada.
- Não. Quem é você?
Suzi apavorada olha a semelhança dos dois.
- Me desculpe. Eu pensei que você era outra pessoa. - O homem a segura pelo braço fortemente e fala:
- Se contar para alguém desse hotel que você me viu com essa moça eu te arranco os olhos. Está me ouvindo! - Suzi assustada se livra da mão dele e sai correndo do quarto. A porta se fecha logo atrás dela.
O que será que estava acontecendo? Quem são aquelas pessoas? Como ela iria fazer para tirar Arthur, Sergios, Sakuia e a outra menina daquele lugar?
De repente uma voz famíliar se faz ouvir.
- Suzi querida o que faz aqui?
Suzi se levanta é para seu alivio vê Sophia. Ela se levanta e abraça a amigo que era um fantasma.
- O que está acontecendo aqui? Que bagunça é essa aqui no hotel. Vocês não deveriam ter ido para a luz? Vocês morreram.
Sophia olha para os lados com medo e fala para Suzi baixinho.
- Vamos conversar no meu quarto.
As duas de mãos dadas caminham até o quarto dela. Suzi percebe todos olhando para ela e Sophia. E só respira tranquila quando entram. E sentado no sofá está Moura, marido de Sophia.
- Suzi? Você também?
- Não meu amor. - Diz Sophia o tranquilizando. Suzi fica se perguntando se ele queria dizer morrer.
- O que está acontecendo aqui Sophia? - Pergunta Suzi mais tranquila e corajosa.
- Não sei menina. De repente um monte de espiritos apareceram dizendo que ir a fazer uma festa por algum motivo. E de repente toda pessoa que morre em Oculam passou a vir para cá. E alguns vivos também. E não querem parem de dançar até que morrem de cansaço.
- Mas como assim? Porque? Quem são esses fantasmas que chegaram primeiro?- Pergunta Suzi horrorizada.
- O primeiro foi me patrão. - Fala Moura com medo. - O senhor Elyote.
- Patrão? Mas quer dizer que é ele que mandou você construir essa maquina de universos paralelos que explodiu?
- Sim. - Fala Moura envergonhado.
- Mas o que ele faz aqui? Será que ele sabe que morreu?
- É lógico que ele sabe. Ele está comemorando algo que o bisneto dele está fazendo hoje no mundo real. - Fala Sophia nervosa.
- E quem é o bisneto dele na vida real gente? - Pergunta Suzi assustada. Mas sua pergunta foi respondida logo. - Lauro!

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