Joe olha para Suzi. Parecia um anjo aparecendo numa situação tão difícil como aquela. Mas quando Joe por instinto tenta arrancar a garota de cima da filha, Suzi não parecia um anjo mais e sim uma leoa protegendo a cria.
- Eu mandei você tirar as mãos da minha irmã agora! - Joe solta Suzana. E ela corre para trás da irmã mais velha. Joe levanta Danielly que estava com a boca sangrando.
- Me desculpe moça. Mas estava apenas tentando defender minha filha.
Suzi se vira para a irmã nervosa.
- Quem foi que começou?
Joe com educação responde.
- Foi minha filha.
Diz Joe olhando nervoso para Danielly que entra dentro do carro com o espelho quebrado. Joe se aproxima de Suzi e a multidão se dispersa.
- Sua irmã passou correndo e por descuido quebrou o espelho do meu carro...
Suzi faz uma cara de susto.
- Moço. Me desculpe.
- Não se preocupe. - Diz Joe com dó de Suzi que quase começa a chorar.
- Nós não temos como pagar isso.
- Não quero que pague... Diz Joe tentando acalmar Suzi.
- Eu perdi o emprego agora mesmo....
- Por favor garota esculta... - Fala ele segurando no ombro de Suzi. Surpresa ela para e pela primeira vez olha para Joe com outros olhos. - Espera. Você disse que perdeu o emprego?
- Sim. Porque?
Joe olha para dentro do prédio que estavam em frente escrito com letras grandes. "Agencia de Babás Oculam". Pelo vidro Joe vê Carol conversando com uma secretaria.
- Olha, meu nome é Joe Meirelles.
Suzi abre um grande sorriso.
- Joel Meirelles? O homem do tempo do Jornal Oculam?
- Sim sou eu. No futuro o ancora do Jornal Oculam.
- Nossa. Que legal. Minha adora você.
- Mas moça deixa eu te falar. Eu tenho um emprego pra você.
- Um emprego? - Pergunta Suzi estranhando.
- Sim. Estava aqui na frente exatamente procurando uma babá para meus filhos. Minha mulher está lá fora procurando uma. E eu acho que achei uma agora.
- Mas moço, você vai confiar em alguém que achou no meio da rua?- Pergunta Suzi.
- Eu vi como você protegeu sua irmã quando pensou que eu ia machuca-la. Isso já é um currículo e tanto.
- Nossa seu Joel eu não sei o que dizer. - Fala Suzi abrindo um grande sorriso. Que fez o coração de Joe bater mais forte ainda.
- Mas ainda não é certo. Minha esposa precisa gostar de você.
- Poxa, então chame ela.- Diz Suzi com alegria e ajeitando o cabelo.
- Não. - Fala Joe com agonia.- Ela precisa acreditar que você foi mandada pela agência. Eles normalmente vão mandar alguém amanhã de manhã lá pra casa. Então você vai hoje de noite. O que acha?
- Tudo bem. Me passa seu endereço então moço.
- É só seguir nessa rua reto. É a primeira mansão que tiver.
Suzi abraça Joe com inocência.
- Muito obrigada moço. Você não sabe o bem que me fez.
Suzi segurando a mão dos dois irmãos sai correndo de volta para casa. Carol sai da agência com um grande sorriso.
- Vamos Joe. O que aconteceu com o espelho do carro?
Joe entra no carro sem falar nada. E o carro sai.
No velho barracão, Suzi ainda não tinha voltado para casa. Yomiko preparava a comida com cuidado e carinho. Quando o telefone toca. Yomiko limpa a mão no avental e sai correndo até o telefone.
- Alô?
- Yomiko?
- Walter. - Yomiko coloca a mão no peito.
- Yomiko venha a delegacia. Suzam novamente está aqui.
Yomiko sorri e fala:
- Que isso Walter. Ela está dormindo aqui no quarto ainda.
Yomiko vai até o quarto que as garotas dividiam e vê a cama vazia.
- O que ela fez agora? - Diz Yomiko voltando ao telefone.
- Acertou uma pedra na janela do supermercado. Ela e alguns amigos foram presos.
Yomiko desliga o fogo do fogão e sai correndo. Logo Suzi abre a porta com Suzam e Sergio.
- Mãe. Achei eles. Mãe?
Suzi vê a panelas do fogo desligada com a comida em cima do fogão e vira-se para Suzam e Sergio sentados nas cadeiras e Sergio fala chateado.
- É a Suzam de novo.
Na delegacia Yomiko chega chorando. E encontra um policial na porta.
-Yan? Cadê minha filha? Já soltaram ela?
- O Walter quer falar com você primeiro Yomiko. Sente-se lá dentro e espere. Ele já vai chegar.
Dentro da sala de interrogatório uma mulher igualzinha Suzi estava sentada numa das cadeiras. A unica diferença entre elas é que os cabelos dessa tinha longas mechas negras, e uma maquiagem negra nos olhos.
Walter, o delegado de Oculam olhava firme para ela.
- Você não tem vergonha Suzam? Sua mãe luta para criar vocês e você faz isso com ela! E sua irmã? Fica o dia inteiro aguentando aquele Silvio para arrumar comida para vocês e você agradece como? Vocês tem a mesma idade, a mesma aparência. Como podem ser tão diferentes?
- Tá bom Walter. Eu já escutei e me arrependo. Quando é que vai me libertar?
- Você foi encontrada com um cigarro de maconha. Isso é crime em Oculam. Sabia disso? O que sua mãe ia fazer se te visse usando isso?
- Ia fazer a mesma coisa que você. Me dar uma bronca e chorar feito um bebê.
Walter bate a mão na mesa assustando Suzam.
- Eu vi como sua mãe sofreu nessa vida toda dela. E não precisa mais dessa corrente para puxa-la para baixo. Eu menti pra sua mãe. Disse que você foi presa porque quebrou a janela de um supermercado, como já fez. E não ouse me desmentir.
Ele sai da sala e batendo a porta com muita força. Mas Suzam apenas ri e coloca os pés em cima da mesa.
Walter do lado de fora encontra Yomiko com lagrimas nos olhos sentada numa das cadeiras do corredor.
- Ou Walter. O que ouve? Porque minha filha não está aqui me esperando. Você não ousou coloca-la juntos daqueles criminosos, ousou?
- Yomiko. - Diz ele se sentando e segurando a mão de Yomiko. - Sua filha é uma criminosa. Quando você vai ver isso?
Lagrimas caem dos olhos de Yomiko.
- Sei como você sofreu. Como foi difícil as coisas que você passou Yomiko. Como foi duro ter que mentir para as meninas. Mas você foi coragem e forte. E quero que seja também na criação dessas meninas. - Walter olha fundo no olho de Yomiko e fala: - Quero que deixe Suzam uma noite aqui.
- O que? Eu não vou deixar minha filha passar uma noite na cadeia.
- Yomiko eu estou falando assim porque sou seu amigo. Mas tenho o poder de fazer isso a força. Mas quero te mostrar que isso é o melhor para a Suzam.
- Não.
- Ela está querendo ser uma marginal. Então temos que mostrar para ela, como uma marginal vive.
- Não Walter. Por favor. - Diz ela chorando.
- Pense bem Yomiko.
Yomiko abraça Walter e chora. E logo se acalma e olha firme para Walter.
- Deixa eu ver ela. Por favor.
A porta da sala de interrogatório se abre mais uma vez. Yomiko entra e vê a Suzam. Os olhos com aquela maquiagem esquisita. Um casaco de pele grande que só Deus sabe como ela conseguiu.
- Demorou. Já não aguentava mais ficar aqui com esse chato falando bobagem. - Diz Yomiko apontando para Walter que fechava a porta pelo lado de fora deixando Yomiko e Suzam sozinhas. Suzam se levanta e vai para sair. Yomiko seria fala:
- Senta ai!
- Vamos conversar em casa mamãe, por favor. Eu tenho que tomar um banho.
- Eu mandei você sentar! - Suzam finalmente vê que é sério o que a mãe falava e se senta. - O que você pensa que eu sou? Eu dei tudo o que pude dar pra vocês. Eu dei meu sangue pra vocês terem uma vida normal, sem sofrerem e você faz isso comigo.
- Deu tudo pra mim? - Fala Suzam nervosa. - Eu divido uma com mais duas pessoas! Você acha que as outras meninas normais tem que dividir a camas com as irmãs?
- Tem meninas que nem tem camas sua ingrata!
- Mas tem meninas que tem mais! Que tem não uma cama. Mas um quarto para cada um! Eu não vou ficar numa vidinha de merda dessa e fingir que está tudo bem. Porque não tá! Se eu não tenho uma pai pra te ajudar é problema seu!
- As vezes é melhor não ter um pai querida. Acredite nisso!
- Eu não quero saber do que você acha! Se você quer que eu mude. Compre uma cama decente pra mim. Um quarto decente. Ai eu paro de andar com o Jack e com o bando dele.
- Você quer andar com o bando dele? Então ande. Porque a maioria do bando dele está aqui na delegacia.
Yomiko vai para sair e Suzam assustada corre até ela.
- Como assim mãe?
- Você não pode sair daqui! Porque você é uma criminosa! Você entendeu? Você já é de maior e tem que assumir seus atos!
- Mamãe você não vai me deixar aqui! Vai? - Se desespera Suzam agarrando o braço da mãe.
- Eu sou obrigada a te deixar aqui Suzam! - Yomiko tenta abrir a porta. E Suzam agarra a perna da mãe chorando. Yan segura Suzam enquanto Yomiko sai.
- Mãe! Desculpa mãe! Mãe! Me tira daqui! Mãe!
Yomiko sai chorando para o corredor enquanto Yan leva Suzam para uma das celas. Yomiko no corredor encontra Walter que ouvia os gritos de longe. E fala séria.
- Se minha filha vai passar a noite aqui. Eu também vou ficar.
- Yomiko não á necessidade.
- Nem que eu tiver que bater em alguém aqui. Essa noite Suzam não dorme sem mim.
Longe dali Suzi olha as estralas da noite já chegada sentada numa cadeira do lado de fora da casa. E lembra-se dos olhos de Joe, compreensivo. E tenta afasta-lo da cabeça. Iria trabalhar na casa dele. E ele era casado. Um homem casado. Nunca poderia dar esse desgosto para a mãe. Mas pensava o pensamento era mais forte. Ela lembra-se das mãos dele tocando-lhe o ombro.
- Suzi?
Suzi se vira para o lado. E do outro lado da cerca feita de ferro velho Eduardo sorria para Suzi.
- E ai? Como foi a busca por outro emprego?
-Foi boa. - Diz Suzi rindo, se levantando e caminhando até Eduardo. - Na verdade não ouve. Na saida da padaria um outro emprego caiu dos céus na minha mão.
- Nossa que sorte a sua. Eu não tive tanta assim. Também fui demitido. Passei o dia inteiro procurando e nada.
- Ou Eduardo. Que pena. Mas sei que vai encontrar um bom emprego.
- Quer saber? - Diz Eduardo abrindo um sorriso. - Eu tinha carteira assinada. E posso ficar alguns dias sem trabalhar. Receberei um seguro desemprego.
Suzi sorri para Eduardo.
- Pra você que já está garantido, tenha uma boa noite. Eu vou ir atrás do meu ganha pão.
Suzi entra em casa e vê Suzana e Sergio vendo televisão e fala com carinho.
- Vou ter que deixar vocês sozinhos por um tempo. Daqui a pouco eu volto.
- Você vai ver o emprego com o homem do tempo do jornal? - Pergunta Suzana.
- Sim. Se a mamãe chegar diga que eu vou chegar logo.
- E se ela demorar? - Pergunta Segio com tristeza.
- Eu não vou demorar.
Suzi pega a bolsa e sai respirando fundo o ar da noite. Tinha dor no coração por deixar os irmãos sozinhos mas tinha que arrumar dinheiro para ajudar a mãe a sustentar a casa.
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