Maria Elizabeth estava do lado de fora do tribunal controlando aquele monte de gente que protestava para Carlos ir para a pena de morte. Todos gritavam enlouquecidos. E Maria Elizabeth estava horrorizada. Um dos colegas dela se aproxima, dela tentando controlar uma mulher que saiu do cerco policial. Maria Elizabeth grita para o colega:
- Esse povo está maluco? Esse cara vai ficar preso o resto da vida! Será que não basta?
Um das mulheres gritando fala:
- Essa assassino que matou filhos e maridos de pessoas como eu, vai comer a custo do nosso dinheiro pelo resto da vida! De jeito nenhum! Morte para esse assassino!
De repente uma mulher derruba Maria Elizabeth no chão. Ela olha com fúria para a mulher e a cata e a leva ao chão com uma cabeçada abrindo um buraco no meio da multidão e acalmando o povo, mas começando a briga só entre ela e a pobre mulher que a tinha subestimado. Os policiais seguram Maria Elizabeth e a outra mulher se levanta assustada.
- Eu vou denunciar você! Vou acabar com você!
- Vai denunciar para onde filha? - Pergunta Maria cuspindo de raiva. - Eu sai da policia. Estou aqui apenas vendo o julgamento como você e ajudando os policiais!
- Vou denunciar você porque me agrediu!
O colega de Maria fala rindo.
- Eu vi muito bem quem começou o primeiro empurrão. - A mulher sai nervosa. E o policial se vira para Maria.
- Maria se livrou dessa, em? Mas vai comer um lanche ali na esquina. Porque sei que você nem almoçou.
Maria nervosa cruza a rua e para diante um armazém. Ela compra um sanduíche e sai quando encontra Walter atravessando a rua e indo para o tribunal. Maria percebe ele mancando e todo machucado e corre até ele preocupada.
- Walter o que aconteceu com você? - Pergunta ela o interceptando.
- Maria. - Fala ele aliviado de vê-la. - Eu acabei de chegar de Oledasep, estava querendo ver o julgamento do Carlos.
- Não está tão interessante assim. Apenas afirmando o que o próprio Carlos disse para você. Mas aposto que você precisa desabafar. Vejo que tem algo entalado ai na garganta. - Diz ela preocupada.
Walter olha com carinho para Maria. A ultima coisa que queria era encontrar Maria naquele momento. Mas de frente a ela, aquela pele morena, aquele sorriso carinhoso aquele olhar doce e sedutor.
- Você me conhece muito bem Maria. Mesmo depois de tanto tempo.
Maria pega a mão do amigo com carinho falando.
- Mesmo depois de tanto tempo você não mudou nada.
Ambos entram dentro da lanchonete novamente e de longe alguém olhava a cena ao mesmo tempo com pavor e alegria. Era Diana com um sorriso maligno.
- Eu sabia que essa menina não era uma pessoa boa.
Diana caminha até a lanchonete e pega o celular, e coloca na câmera e começa a tirar fotos do casal que se senta numa das mesas da lanchonete.
Maria olhava para Walter com carinho. Apesar de ter feito o que fez tinha um carinho muito grande com o homem que dividiu tantos sentimentos bons. E vê-lo daquela forma, machucado e com angustia no peito igualzinho naquelas noites em que ele chegava nos quartos de hotel, cada dia um diferente. E com aperto no peito, contava-lhe o que o tinha magoado naquele dia e ela ouvia depois de se entregarem as horas de paixão.
Ela com um sorriso segura novamente na mão de Walter, o que o abalava mais que o normal.
O que de carinho tinha no sentimento de Maria por Walter tinha uma grande cicatriz, uma cicatriz escura e sombria. Um assassinato. A do próprio filho que ele iria ter. Ele não conseguia sentir esse sentimento doce por Maria sem essa cicatriz.
- O que foi que ouve? - Pergunta Maria com um sorriso doce tentando tirar de seu sentimento e pedindo a Deus para também sumir essa cicatriz do sentimento de Walter.
- É algo bem complicado. Eu fui para Oledasep investigar a faculdade destruída pelo incêndio. Faculdade que Alceu diz que estudou mas que os documentos e históricos deles foram destruídos no incêndio. Mas parece que tem muito mais escondido nessa faculdade por que tentaram matar eu e meus parceiros duas vezes e uma deles conseguiu matar eles. Só eu consegui sair ileso. Sabe o que é saber que uma pessoa que estava comigo agora a pouco agora deve estar sendo enterrada.
Maria fala para Walter:
- Você já deveria ter se acostumado com isso Walter. Na profissão que escolhemos isso é muito mais que normal.
Walter suspirando continua:
- Mas ela era diferente. Quando a vi por um segundo veio uma luzinha lá no fundo. Uma esperança. Eu pensei que ela poderia ser aquela pessoa Maria. - Walter abraça a cabeça triste. - A pessoa que deveria ser você.
Maria levanta a cabeça de Walter com os dedos sorrindo.
- Você ainda vai encontrar essa pessoa. Não perca as esperanças.
Walter se aproxima de Maria. Aquela cicatriz por um segundo desapareceu. Ele sentiu tudo de novo. Vendo os lábios vermelhos daquela mulher de novo. Ele coloca os cabelos ruivos dela de trás das orelhas e se aproxima, toda a dor tinha sumido. Só restava o sentimento. Mas antes que os lábios se tocarem, Maria colocou um obstáculo. Seu dedo separava as duas bocas. Maria se levanta com seriedade.
- Eu estou apaixonada por outra pessoa Walter. Eu posso apenas ser sua amiga.
Walter limpa um lágrima que teimou em cair. E ele fala abrindo um sorriso falso.
- Eu vou adorar ser seu amigo Maria.
Maria sai dando um sorriso e um tchau com as mãos. Walter olha com tristeza ela se afastando pela janela da lanchonete e deixa as lágrimas cair. E esmurra o vidro levemente com raiva de si mesmo. Por ter entregue seu coração mais uma vez aquele sentimento, aquela esperança que sempre aparece para machuca-lo cada vez mais. Uma esperança maldita.
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